Elvira Vigna não é para descuidados
Capa do livro publicado pela Companhia das Letras Deixei ele lá e vim atravessou o oceano e ficou parado na minha livraria mais ou menos uns seis meses. Quando li a notícia do falecimento de Elvira Vigna pensei que tinha chegado a hora de lê-lo. O início da leitura foi quase irritante, me senti perdida. Resisti e quando terminei o livro fiquei olhando para ele sem saber o que pensar. Recomecei. Foi aí que entendi o fantástico trabalho de construção do texto feito por Elvira Vigna, uma autora que pisca o olho continuamente para o seu leitor, e repete: vejamos se você descobre o que eu ando escondendo. A narradora de Elvira Vigna desconcerta e avisa logo no início do romance que a “história tem falhas, buracos. E pior: vou preenchê-los.” (p. 10). Ao longo do texto vamos encontrando muitas vezes e de diferentes maneiras as provas desta intenção inicial. Ora afirma que inventa enredos e acontecimentos tanto sobre o passado quanto sobre o futuro; ora manifesta ...