Entro de havaianas num ano que caminha de botas
Começo o ano atrasada, e dividida. No Brasil, Natal e Ano Novo são sinônimo de férias, de descanso, de tempo se arrastando no calor úmido, de esperar o carnaval mesmo que não seja o nosso feriado preferido. Aqui, Natal e Ano Novo são uma pausa breve, é inverno, as árvores sem folhas, o vai e vem das frentes frias. Chego do Brasil de havaianas e entro em um ano que caminha de botas. Enquanto troco o calçado vou pensando nos objetivos de 2018, na pilha de livros, na quantidade de coisas que não sei, em janeiro que já se foi, no carnaval que já passou, nas aulas que enchem os meus dias. Pelo menos estes eu gostaria de ler. Uso um tempo diferente para começar o ano, uso um tempo medido por uma viagem: a volta do Brasil. Voltar significa ter livros novos, ter as bolachas e a goiabada da mãe para comer, ter o feijão que a tia colheu para cozinhar. Significa integrar o meu mundo de origem com os mundos por que passei e onde vivo. Não sei quantos dias o meu ano terá nem quantos...