Entro de havaianas num ano que caminha de botas

Começo o ano atrasada, e dividida. No Brasil, Natal e Ano Novo são sinônimo de férias, de descanso, de tempo se arrastando no calor úmido, de esperar o carnaval mesmo que não seja o nosso feriado preferido. Aqui, Natal e Ano Novo são uma pausa breve, é inverno, as árvores sem folhas, o vai e vem das frentes frias.
Chego do Brasil de havaianas e entro em um ano que caminha de botas. Enquanto troco o calçado vou pensando nos objetivos de 2018, na pilha de livros, na quantidade de coisas que não sei, em janeiro que já se foi, no carnaval que já passou, nas aulas que enchem os meus dias.

Pelo menos estes eu gostaria de ler.

Uso um tempo diferente para começar o ano, uso um tempo medido por uma viagem: a volta do Brasil. Voltar significa ter livros novos, ter as bolachas e a goiabada da mãe para comer, ter o feijão que a tia colheu para cozinhar. Significa integrar o meu mundo de origem com os mundos por que passei e onde vivo.
Não sei quantos dias o meu ano terá nem quantos dos meus objetivos ficarão pelo caminho ou quantos coisas não planejadas irão acontecer, mas sei que ser professora enche os meus dias de pequenos desafios e que o contato com os alunos enriquece a minha vida. O meu ano também é medido pelos encontros e pausas, pelo fim de um nível e o início de outro, independentemente do período do ano. Aqui as férias de verão são em julho e agosto, os alunos novos quase sempre chegam em outubro e eu começo a pensar que eu começo o mesmo ano duas ou três vezes.

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