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Mostrando postagens de maio, 2020

Cada segunda um começo - Machado de Assis

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Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro em 1839, filho de um mulato carioca e de uma imigrante açoriana. Apesar da sua origem humilde e de ter começado a trabalhar ainda na infância, conseguiu alcançar uma alta posição como funcionário público e consideração social num Brasil monárquico e escravocata.  Embora seja mais conhecido por seus contos e romances, Machado também foi poeta, jornalista, crítico literário e teatral. Os seus romances mais conhecidos são Dom Casmurro (1899), Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) e Quincas Borba (1891).  O nosso começo de hoje é o de  Dom Casmurro , cujo tema é o adultério. O personagem do título é também o narrador do romance, é através dele que o leitor vai conhecendo os demais personagens e a história do que ele acredita ser um triângulo amoroso. O filtro de Bentinho acaba por criar uma narrativa ambígua que alimenta muitas discussões sobre o fato de Capitu ter ou não traído Bentinho com o seu amigo Escobar. E ai, qual teoria ...

Cada segunda um começo - Guimarães Rosa

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Guimarães Rosa dispensa apresentações, mas a nossa sessão Cada segunda um começo não. O título é bastante óbvio, cada segunda-feira publicaremos o início de um livro de autores de língua portuguesa com um breve resumo sobre os escritores. A escolha dos autores é subjetiva e o primeiro deles é o autor de um dos melhores livros da literatura brasileira. O mineiro Guimarães Rosa foi o terceiro ocupante da cadeira nº 2 da Academia Brasileira de Letras. Além de escritor também foi diplomata e médico. Publicou sua primeira obra, Magma, em 1936. Mas foi com Sagarana (1946) e com Corpo de Baile (1956) que ganhou notoriedade. Seu romance mais famoso é Grande Sertão: Veredas (1956), um marco da literatura brasileira. Conta-se que Guimarães Rosa era muito supersticioso e tinha um receio em assumir uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Os escritores que fazem parte da ABL são chamados de imortais e Guimarães Rosa pensava que isto poderia trazer azar. Coincidência ou não, o mineiro fale...

Mário de Sá-Carneiro

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Maio é o mesmo do nascimento de Mário de Sá-Carneiro e não poderíamos terminar o mês sem fazer a nossa pequena homenagem a um dos grandes nomes do modernismo português. Junto com Fernando Pessoa, foi um dos criadores do Orpheu e as cartas que enviou de Paris revelam a importância que atribuía a Pessoa. Maio também foi um mês importante para Sá-Carneiro em 1913. Nas missivas que enviou a Lisboa durante este mês, estão quase todos os poemas que fariam parte do livro Dispersão , publicado no final daquele ano. Um título que Sá-Carneiro carregou consigo toda a sua vida e que encontramos ao longo dos poemas: “sou labirinto, sou licorne e acanto”, “corro em volta de mim”, Tombei.../E fico esmagado sobre mim.” Mas em Dispersão também encontramos o outro lado: “ A tristeza de nunca sermos dois ”; um eu que vive no passado, sem presente ou futuro: “Para mim é sempre ontem,/Não tenho amanhã nem hoje” . Um escritor que não teve uma relação pacífica com a vida, “ A vida corre sobre mim em guerra ....

Vamos chilar?

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Você sabe o que significa chilar? Além do português, língua oficial, Moçambique, tem outras 43 línguas nacionais de origem bantu e, claro, os empréstimos são frequentes. Chilar é uma dessas palavras que transitam entre as línguas e é usada para se referir ao momento de descontração, de curtir. Outro aspecto bastante distinto do português em Moçambique é o de que, ao contrário do que acontece em Portugal ou no Brasil, muitos dos falantes de português aprendem a língua somente quando começam a frequentar a escola. No ano passado, o governo moçambicano lançou um projeto piloto para implantar a educação bilíngue e diminuir o trauma das crianças que, ao ingressarem na escola sem conhecer nada de português, são obrigadas a aprender na língua oficial do país. Quer saber mais? Confira a entrevista do professor Nataniel Gnomane no site do Museu da Língua Portuguesa. A entrevista dura 15 minutos e começa no minuto 1:06:50 neste link: https://bit.ly/35Qdlmf

Comemorar e recomeçar

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Comemorar Comemora quem trabalha com a língua portuguesa, comemora quem se expressa em português e comemora que vive com e nessa língua. Em novembro de 2019, a UNESCO declarou o dia 05 de maio como o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Mas, afinal, porque o dia 05 de maio? A primeira reunião dos ministros de cultura da CPLP realizou-se nos dias 05 e 06 de maio no Estoril, em Portugal. Naquela ocasião, os ministros assumiram inúmeros compromissos, entre eles os de aumentar a dimensão cultural da CPLP, de promover e valorizar a língua portuguesa e de criar redes entre os países para estabelecer uma cooperação efetiva e de longo prazo. Deste encontro resultou a Declaração de Estoril, que se pode ler aqui .  As reuniões entre os ministros de cultura tornaram-se periódicas e, em 2005, ao finalizar o quarto encontro, comunicaram, na Declaração de Luanda , a escolha da data da primeira reunião como Dia da Cultura da CPLP. A partir de então, a data começou a ganhar espaço nas festi...