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Mostrando postagens de junho, 2020

Cada segunda um começo - Dulce Maria Cardoso

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         É assim que Dulce Maria Cardoso inicia seu romance O Retorno .  A metrópole é, obviamente, Portugal, e “as raparigas daqui” são as de Angola.  A história de uma família que deve abandonar tudo em Luanda e transferir-se para Portugal para escapar da guerra civil angolana que iniciou 1975, logo depois da Independência do país. O protagonista-narrador é Rui, um rapaz de 15 anos que passa a viver com a família num quarto de um hotel em Lisboa. Com o passar do tempo vê-se tanto a deteriorização do hotel, alojamento provisório oferecido pelo governo português, quanto da situação dos retornados. A adolescência de Rui é marcada pela espera da chegada do pai, pelo medo de que a doença da mãe aflore a qualquer momento, pelas dificuldades e pela decepção com a metrópole e pela distância da África.      Mais de meio milhão de pessoas desembarcaram no Portugal pós-revolução e encontraram um país livre e uma difícil situação econômica....

Cada segunda um começo - Chico Buarque

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     Dia 19 de junho foi o aniversário de Francisco Buarque de Hollanda e escolher um começo para hoje não foi uma tarefa muito fácil. O escolhido foi Leite derramado , que venceu o Prêmio Jabuti como Melhor Livro de ficção em 2010.      As atividades de Chico Buarque distribuem-se em diferentes áreas: cantor, compositor, escritor, ator e jogador de futebol. Hoje falaremos somente da sua faceta como escritor e, acreditem, já há muito para se dizer. Ainda na escola Chico Buarque começou a publicar textos para o jornal do colégio, mas foi em década de 70 que lançou os primeiros textos literários. Em 1973, escreveu com Ruy Guerra Calabar: O elogio da traição , peça teatral musicada que só liberada pela censura no final da década. É deste mesmo período, o texto e as canções de Ópera do Malandro . Em 1981, lança A bordo do Rui Barbosa , e finalmente em 1991 lança Estorvo seu primeiro romance e que vence o Prêmio Jabuti de Literatura de melhor romance. Em 1995,...

Fernando Pessoa - Aniversário

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“Fernando Pessoa não existe, propriamente falando.” A declaração é do poeta Álvaro de Campos e Richard Zentih recordou-a na introdução ao Livro do Desassossego por ele editado e publicado pela Assírio & Alvim. Fernando Pessoa nasceu no dia 13 de junho de 1888 e para quem o conhece pouco é melhor já ir se acostumando com a ideia de que talvez ele não “existisse”. Apesar de ter publicado quatro livros durante a sua vida e de ter participado ativamente dos movimentos literários da sua época, a genialidade de Fernando Pessoa só se revelou ao público depois da sua morte, em 1935. Os escritos que costumava acumular numa arca, atualmente na Biblioteca Nacional de Lisboa, somam 25 mil folhas escritas em português inglês e francês e acabaram por revelar a genialidade do autor. Ao longo de sua vida Fernando Pessoa criou inúmeros heterônimos, escritores com biografia e estilos próprios, completamente diferentes entre eles. A seguir comentaremos brevemente apenas dois deles: Álvaro de Cam...

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

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     No dia 10 de junho os portugueses comemoram o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.       Com a chegada da República em 1910, alguns feriados religiosos foram extintos e os municípios ganharam autonomia para escolher um feriado que representasse as suas festas tradicionais. A capital portuguesa decidiu homenagear o autor de Os Lusíadas e acabou escolhendo o dia 10 de junho, data da sua morte no ano de 1580.       O Estado Novo promoveu o dia 10 de junho a feriado nacional com a nomenclatura de Dia de Camões, de Portugal e da Raça, enfatizando as características nacionais. A partir de 1978, a data mantem-se, mas o Dia da Raça transforma-se me Dia das Comunidades Portuguesas e as comemorações são ampliadas aos países onde há presença de portugueses emigrados e/ou de seus descendentes.          Para se ter uma ideia dos números é suficiente ler um trecho da mensagem da secretária d...

Cada segunda um começo - Helena Morley

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Helena Morley é, na verdade, Alice Dayrell Caldeira Brant. A escritora nasceu em 1880 em Diamantina, Minas Gerais. Minha vida de menina é o diário da autora escrito entre os anos 1893 e 1895. O texto narra pequenos acontecimentos cotidianos, confissões da adolescente e, ao mesmo tempo, apresenta ao leitor os problemas econômicos da época, a novas relações trabalhistas que se estabelecem com o fim da escravidão, a recente Proclamação da rRpública e acaba por retratar momentos históricos de maneira independente e inconformista no Brasil da época. O diário de Morley foi publicado pela primeira vez em 1942, quando a escritora manifestou o desejo de compartilhar as suas memórias com parentes e amigos. Entre os seus leitores estão escritores famosos como Raquel de Queiróz ou Carlos Drummond de Andrade.