Fernando Pessoa - Aniversário
“Fernando
Pessoa não existe, propriamente falando.” A declaração é do poeta Álvaro de
Campos e Richard Zentih recordou-a na introdução ao Livro do Desassossego por ele editado e publicado pela Assírio
& Alvim.
Fernando
Pessoa nasceu no dia 13 de junho de 1888 e para quem o conhece pouco é melhor já
ir se acostumando com a ideia de que talvez ele não “existisse”. Apesar de ter
publicado quatro livros durante a sua vida e de ter participado ativamente dos movimentos
literários da sua época, a genialidade de Fernando Pessoa só se revelou ao
público depois da sua morte, em 1935. Os escritos que costumava acumular numa
arca, atualmente na Biblioteca Nacional de Lisboa, somam 25 mil folhas escritas
em português inglês e francês e acabaram por revelar a genialidade do autor.
Ao longo de
sua vida Fernando Pessoa criou inúmeros heterônimos, escritores com biografia e estilos próprios, completamente diferentes entre eles. A seguir comentaremos
brevemente apenas dois deles: Álvaro de Campos e Ricardo Reis.
Álvaro de
Campos, o autor da citação inicial do texto, foi um engenheiro que estudou em
Glasgow, trabalhou em Londres por um tempo e, em 1926, voltou a Lisboa. Desempregado
mergulhou no pessimismo. Faleceu em 1935, em Lisboa. Sua obra divide-se em três
fases: a primeira foi decadentista e marcada pelo desejo de novas sensações, como
podemos apreciar no poema Opiário. A
segunda fase é modernista e influenciada por Walt Whitman e pelo Manifesto
Futurista de Marinetti. Os melhores exemplos desta fase são os poemas Ode Triunfal e Ode Marítima. Na última fase, Campos mostrou sua descrença em
relação a quase tudo, escreveu sobre a solidão, a saudade da infância e a
dissolução do eu e deixou um dos poemas mais bonitos da língua portuguesa: Tabacaria.
Ricardo Reis
nasceu no Porto, em 1887, estudou num colégio jesuíta e formou-se em medicina,
mas não exerceu a profissão. Monárquico, imigrou para o Brasil em 1919, depois
da derrota das tropas monárquicas. A sua formação clássica aproxima-o das
regras clássicas de escrita e muitos expertos afirmam que Ricardo Reis é o
heterônimo que mais se aproxima de Fernando Pessoa, seja pelo aspecto físico
seja pelo modo como entende a poesia. Ricardo Reis ganhou notoriedade em 1984,
quando José Saramago publicou O ano da morte de Ricardo Reis. A novidade estava
justamente em atribuir um ano de morte a este heterônimo ao qual Fernando
Pessoa não decretar um fim.
Dos
heterônimos criados por Fernando Pessoa, há pelo menos outros dois que merecem ser
recordados: Alberto Caeiro, o guardador de rebanhos, poeta bucólico que
considerava a sensação como a única realidade possível; e Bernardo Soares, ajudante
de guarda-livros, autor do Livro do
Desassossego.
Fernando Pessoa
merece a fama que alcançou no mundo e sua obra é um universo apaixonante. Se
quiser conhecer mais sobre a sua obra pode visitar a Casa Fernando Pessoa ou,
se não puder ir a Lisboa, pode ouvir os episódios da fantástica série documental sobre a vida de Fernando Pessoa, narrados por especialistas na obra
pessoana.

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