Cada segunda um começo - Dulce Maria Cardoso
É assim que Dulce Maria Cardoso inicia seu romance O Retorno. A metrópole é, obviamente, Portugal, e “as raparigas daqui” são as de Angola. A história de uma família que deve abandonar tudo em Luanda e transferir-se para Portugal para escapar da guerra civil angolana que iniciou 1975, logo depois da Independência do país. O protagonista-narrador é Rui, um rapaz de 15 anos que passa a viver com a família num quarto de um hotel em Lisboa. Com o passar do tempo vê-se tanto a deteriorização do hotel, alojamento provisório oferecido pelo governo português, quanto da situação dos retornados. A adolescência de Rui é marcada pela espera da chegada do pai, pelo medo de que a doença da mãe aflore a qualquer momento, pelas dificuldades e pela decepção com a metrópole e pela distância da África.
Mais de meio milhão de pessoas desembarcaram no
Portugal pós-revolução e encontraram um país livre e uma difícil situação
econômica. Muitos dos recém-chegados tinham pouco ou nenhum dinheiro, foram
recebidos sem entusiasmo pelos familiares e pela população em geral, sofreram
com a hostilidade dos portugueses e dependiam das ajudas do estado português para
viver, comer e dormir. Um romance fundamental para entender um episódio recente
e marcante da história de Angola e de Portugal.
Para aprofundar o assunto dos retornados, aconselhamos
Depois do Adeus,
produzida pela Rádio e Televisão Portuguesa (RTP). Uma série que narra a
história da família Mendonça, usando imagens de arquivos e importantes eventos
sociais e políticos da época.

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